sábado, 19 de setembro de 2026

Segunda Guerra Mundial 1940 - A Batalha da Inglaterra - A Luftwaffe ao Ataque

 

A Batalha da Inglaterra
A Luftwaffe ao ataque


A 25 de junho de 1940, cessou a luta no território francês. Quatro dias antes, em
Compiègne, no histórico vagão em que os alemães tinham assinado a capitulação no
fim da Primeira Guerra Mundial, o general francês Huntziger recebeu das mãos do
próprio Hitler as condições do armistício que encerrou as hostilidades.
A Inglaterra, isolada e entregue aos seus próprio recursos, encontrava-se nesse
momento praticamente indefesa. Por causa das graves perdas na evacuação de
Dunquerque, os ingleses contavam apenas com um punhado de divisões
adequadamente armadas e com menos de 500 aviões de caça, para enfrentar as 160
divisões do Exército alemão e os 3.000 aviões da Luftwaffe. Hitler, em conseqüência,
estava absolutamente convencido de que em poucas semanas os ingleses se
convenceriam da inutilidade de prosseguir com a resistência e solicitariam a paz aos
alemães.
Contudo, a debilidade dos ingleses era mais aparente do que real. Entrincheirados em
suas ilhas e protegidos por sua poderosa esquadra, que superava de forma esmagadora
a esquadra alemã, os britânicos poderiam, se conseguissem ganhar o tempo
necessário, reconstruir em curto prazo o seu poderio militar. Iludido por suas
repetidas e fulminantes vitórias, Hitler não se apercebeu de inicio dessa possibilidade
ameaçadora, e, esperando obter um acordo, concedeu aos ingleses a trégua vital de
que necessitavam.
Alguns chefes militares alemães compreenderam, desde logo, o grave risco contido na
atitude passiva do ditador. Para derrotar a Inglaterra e eliminar assim o último inimigo
que restava, era necessário atuar de imediato e com o máximo de decisão.
A 18 de junho, quando a luta na França ainda não estava concluída, o general Milch,
ministro da aeronáutica e inspetor geral da Luftwaffe, propôs a Goering realizar sem
demora um ataque de surpresa, com para-quedistas, no sul da Inglaterra, para tirar
vantagem do estado de desorganização em que se encontravam as defesas do país. Os
paraquedistas se apossariam dos principais aeroportos e seriam rapidamente
apoiados por tropas aerotransportadas. Simultaneamente, as numerosas divisões que
não intervinham na luta contra os franceses seriam transportadas através do Canal da
Mancha (de navio) e desembarcariam nas desprotegidas praias britânicas, com a
cobertura do grosso das esquadrilhas da Luftwaffe.
Era um plano improvisado e temerário, mas, devido à extrema debilidade das defesas
britânicas, tinha grande possibilidade de êxito. Goering, entretanto, rechaçou-o de
imediato. Assim como Hitler, ele estava plenamente convencido de que a Inglaterra
solicitaria paz, logo que a França tivesse capitulado.
Por sua vez, os chefes da Wehrmacht consideravam necessário realizar uma invasão
em grande escala para submeter a Inglaterra. A 30 de junho, o marechal Jodl
entrevistou-se com Hitler em seu QG de Freudenstadt, na Floresta Negra, e, depois de
entregar-lhe um extenso informe sobre a situação militar, comunicou-lhe que, em sua
opinião, bastaria a ação da Luftwaffe e dos submarinos para forçar os ingleses a
capitular, caso se obstinassem em prosseguir a luta.
Em consequência, ao terminar a campanha da França, Hitler e seus generais
desentenderam-se por completo quanto à continuação da guerra contra a Inglaterra.
Numerosas unidades do Exército e da Luftwaffe foram enviadas de regresso para a
Alemanha e tomaram-se as primeiras medidas, para desmobilizar 20 divisões. A
guerra, para o caudilho nazista, estava praticamente terminada.


Nasce o “Leão Marinho”


Os dias se passavam, entretanto, sem que os ingleses dessem mostras de que
abandonariam a sua disposição belicosa. Hitler, surpreendido e encolerizado,
determinou, a 2 de julho, que se iniciassem os preparativos para a invasão. Em sua
primeira ordem, ele já assinalava que esta operação dependeria da prévia obtenção da
supremacia aérea. Acertadamente, o ditador havia compreendido que só aniquilando a
RAF seria possível realizar o desembarque.
Mas já era tarde demais para que os alemães obtivessem com facilidade uma vitória
nos ares. Trabalhando dia e noite, as fábricas inglesas haviam conseguido cobrir as
baixas sofridas pela RAF na França e, em princípios do mês de julho, o Comando de
Caça já contava com uma força de operação de 700 modernos Hurricanes e Spitfires.
A 11 de julho, o ditador reuniu-se em Berchtesgaden com o almirante Raeder, chefe da
Kriegsmarine, que se declarou em aberta oposição ao projeto de invasão da
Inglaterra. Com cifras e dados detalhados, o veterano marinheiro demonstrou a Hitler
que a Marinha alemã enfrentava dificuldades praticamente insuperáveis para levar a
cabo essa operação.
Dois dias depois, Hitler reuniu-se em conferência com os chefes da Wehrmacht e
comunicou-lhes sua surpresa diante da atitude obstinada dos ingleses. A seu ver, essa
atitude “irracional” só tinha uma explicação: os britânicos esperavam que a Rússia
entrasse brevemente na guerra contra a Alemanha. Em conseqüência, era preciso
atacar quanto antes a Inglaterra, para obrigá-la a solicitar o armistício.
A 16 de julho, Hitler deu o passo decisivo, através da Diretiva de Guerra n° 16, a
qual punha em marcha o plano “Leão Marinho”, o nome chave designado para a
invasão da Inglaterra. O ditador, entretanto, assinalava na mesma ordem que o plano
só seria levado a efeito em caso de necessidade. Confiava em que obteria por outros
meios a capitulação dos ingleses.
Três dias depois, pronunciou no Reichstag um discurso, destinado a convencer o povo
britânico e às nações neutras de que sua intenção era pôr fim o mais rapidamente
possível à guerra, através de um acordo pacífico.
A resposta britânica não se fez esperar. Na mesma noite, a BBC de Londres transmitiu
a rejeição categórica da inconsistente oferta do ditador. Três dias depois, Lord
Halifax, ministro das Relações Exteriores britânico, deu a conhecer a negativa do seu
Governo de entrar em entendimento com a Alemanha. Só restava a Hitler o caminho
da luta.
Por esses dias, o ditador anunciou a seus generais, pela primeira vez, a sua decisão de
atacar a Rússia. A atitude de desafio dos ingleses deixara-o convencido de que estes
não deporiam as armas, enquanto não perdessem definitivamente a esperança de
receber o apoio soviético. A 21 de julho, mandou chamar o marechal Brauchitsch,
comandante em chefe do Exército, e ordenou-lhe que iniciasse imediatamente o estudo
de uma campanha contra a URSS. Brauchitsch comunicou a Hitler que a Wehrmacht
poderia levar a cabo a conquista da Rússia ocidental em 4 a 6 semanas, empregando
no ataque de 50 a 75 divisões de primeira linha. Satisfeito com o informe, o ditador
incitou-o a que acelerasse o plano de invasão.

Hitler Decide Atacar

A 31 de julho de 1940, os chefes da Wehrmacht reuniram-se em Berchtesgaden, a fim
de receber do Fuhrer a ordem de ataque à Inglaterra. Estavam presentes o almirante
Raeder, os marechais Keitel, Jodl e Brauchitsch, e o general Halder, chefe do estado-
maior do Exército.
Raeder tomou a palavra e voltou a expor a Hitler as dificuldades que a Marinha
enfrentava para realizar o desembarque, previsto no plano “Leão Marinho”. Expôs
também as condições climáticas desfavoráveis em que estaria o Canal da Mancha
durante o mês de setembro, data prevista para o ataque.
Acertadamente, Hitler ponderou ao cauteloso almirante que até essa data os ingleses
já teriam reconstruído seu poderio militar e contariam com mais de 30 divisões
perfeitamente armadas. Ordenou então aos chefes do Exército que acelerassem os
preparativos, a fim de que o desembarque fosse realizado em meados de setembro.
Acrescentou, entretanto, que a decisão final sobre o momento de iniciar-se o ataque só
seria tomada depois que a Luftwaffe tivesse levado a cabo uma ofensiva maciça
contra a Inglaterra, durante toda uma semana.
Se a Luftwaffe conseguisse, tal como assegurava Goering, aniquilar a RAF dentro
daquele prazo, a invasão teria lugar em setembro; caso contrário, seria adiada para
maio do ano seguinte.
Hitler referiu-se então ao problema da Rússia. Já estava decidido a entrar em guerra
com os soviéticos, a fim de anular as esperanças que os ingleses depositavam em seu
apoio. Deu ordens formais aos seus generais que
iniciassem o planejamento da campanha contra os russos, e advertiu-os que o ataque
teria de começar no mais tardar, na primavera de 1941. A Wehrmacht concentraria
120 divisões na frente oriental e manteria outras 60, no ocidente da Europa.
A resolução estava tomada. Sem o saber, Hitler selou nesse dia o destino da
Alemanha.

Começa a Luta Sobre o Canal

Nos primeiros dias do mês de julho de 1940, Goering ordenou às esquadrilhas da
Luftwaffe que conquistassem a supremacia aérea sobre o Canal da Mancha. Essa
operação teria por fim eliminar o tráfego marítimo britânico nesse braço de mar, e, ao
mesmo tempo, atrair à luta os caças da RAF. Os ataques foram crescendo
progressivamente em intensidade e estenderam-se aos portos da costa sul da
Inglaterra. De inicio, os aviões ingleses ofereceram batalha; mas, logo, por ordem do
marechal sir Hugh Dowding, chefe do Comando de caça, abandonaram a luta,
guardando-se para enfrentar o ataque decisivo.
A 1° de agosto Hitler ordenou a Goering que iniciasse a ofensiva aérea contra a
Inglaterra. Sem demora, Goering ordenou aos marechais Kesselring, Sperrle e
Srumpff, chefes das Luftflotte (frotas aéreas) II, III e IV, que completassem os planos
para levar a cabo o ataque. Surgiram, entretanto, divergências entre esses chefes.
Kesselring opôs-se à realização da ofensiva, pois, considerava, acertadamente, que a
Luftwaffe sofreria grandes baixas e não obteria resultados definitivos. Propôs, em
conseqüência, o ataque às desguarnecidas possessões britânicas do Mediterrâneo, a
fim de obter por via indireta a derrota da Inglaterra. Goering, apoiado por Sperrle,
rechaçou os seus argumentos e declarou que a RAF seria aniquilada em poucos dias
de luta.
O problema seguinte foi a fixação do objetivo principal dos ataques. Sperrle
declarou-se partidário da ofensiva cerrada contra Londres, a fim de atrair a totalidade
dos caças britânicos a uma batalha decisiva. Hitler, entretanto, opôs-se ao bombardeio
da Capital e Goering ordenou então que a ofensiva se limitasse a destruir a RAF e às
suas instalações terrestres, no sul da Inglaterra. Em uma segunda etapa, seriam
bombardeados os centros de abastecimento, portos e indústrias, a fim de paralisar a
vida econômica do país.
Ficou, assim, determinado o plano de ataque. Nos aeródromos localizados sobre as
costas do Canal, na Holanda, Bélgica e França, as esquadrilhas da Luftwaffe
receberam as diretivas finais e completaram os seus preparativos. Na ofensiva,
batizada com o nome chave de “Adlerangriff”(Ataque das Águias), interviriam três
frotas aéreas, em um total de 2.550 aviões.

O Primeiro Fracasso

Na manhã de 12 de agosto, os aviões alemães realizaram um ataque preliminar, a fim
de destruir as instalações de radar instaladas sobre a costa sul da Inglaterra. Seus
estações foram violentamente bombardeadas, mas, só uma, situada na ilha de Wight,
em frente ao porto de Southampton, ficou inutilizada.
No dia seguinte, desencadeou-se o “Ataque das Águias”. A partir das 3 da tarde, as
formações de Stukas e bombardeiros Heinkel 111, Dornier 17 e Junkers 88 cruzaram o
canal, escoltados por centenas de caças Messerschmitt 109 e 110. Em ondas
sucessivas, bombardearam os aeródromos da RAF situados sobre a costa e os portos
de Southampton e Portland. Os caças britânicos, entretanto, ofereceram uma
resistência encarniçada e conseguiram abater 45 aviões da Luftwaffe.
A violenta reação da aviação britânica demonstrou aos pilotos alemães que a luta não
ia ser tão fácil como prognosticara Goering. Os Spitfires e Hurricanes mostraram-se
claramente superiores aos caças bimotores Me 110 e conseguiram abater, facilmente,
aos lentos bombardeiros e aos Stukas. Só o Me 109, veloz caça monomotor, conseguiu
enfrentar com êxito os aviões ingleses, mas, a Luftwaffe só contava com 800 aviões
desse tipo, cifra totalmente insuficiente para a obtenção da supremacia aérea. Além
disso, esse avião tinha um raio de ação muito limitado e só podia manter-se em vôo
sobre a Inglaterra durante 20 minutos, circunstancia que o impedia de prestar uma
escolta adequada aos bombardeiros.
No transcurso de seus ataques, os aviadores alemães tinham escutado com surpresa,
através do rádio, como os caças britânicos eram guiados da terra ao encontro das
formações de bombardeiros. Esse sistema de controle, que utilizava os dados
fornecidos pelas estações de radar, permitiu à RAF evitar a dispersão da sua reduzida
força de 700 caças e foi elemento decisivo da vitória alcançada pelos britânicos
sobre a Luftwaffe.
A 15 de agosto, teve lugar um dos principais episódios da batalha aérea. As Luftflotte
II e III atacaram pelo sul e a Luftflotte V lançou um “raid” de surpresa a costa leste,
vinda das suas bases na Noruega e na Dinamarca. Os quatro grupos de caça da RAF,
de número 10, 11, 12 e 13, viram-se, assim, empenhados simultaneamente na luta.
As esquadrilhas do grupo 13, localizadas na Escócia, conseguiram rechaçar o ataque
da Luftflotte V e lhe infligiram grandes perdas. No sul, os outros grupos conseguiram
também desbaratar as incursões alemães, em uma série de violentos combates. No fim
do dia, a Luftwaffe perdera 75 aviões, contra 34 ingleses abatidos.
A derrota sofrida em 15 de agosto teve decisiva influência no desenrolar da batalha.
A Luftflotte V já não voltou a intervir em ataques diurnos e transferiu a maioria dos
seus aparelhos para a costa francesa. Ficou definitivamente demonstrada a impotência
dos “Stuka” diante dos caças ingleses e, 4 dias depois, Goering resolveu retirá-los da
batalha. Dessa maneira, os efetivos da Luftwaffe reduziram-se em mais de 300 aviões.
Por sua vez, os caças bimotores Me 110 tiveram, daí em diante, de ser escoltados por
Me 109. Sobre esses últimos aviões recaiu, portanto, todo o peso da luta contra os
caças ingleses.
Apesar de seus repetidos fracassos, a Luftwaffe não cessou de atacar. A 18 de agosto,
voltou a realizar incursões maciças sobre o sul da Inglaterra e, novamente, sofreu
graves perdas, com 71 aviões derrubados contra 37 ingleses. No dia seguinte, Goering
conferenciou com os chefes da Luftwaffe e comunicou-lhes que havia chegado o
momento crítico da ofensiva. Era preciso redobrar os esforços, até aniquilar por
completo a RAF. Em conseqüência, a quase totalidade dos caças Me 109 foi entregue
a Luftflotte II, comandada pelo marechal Kesselring, que tinha a seu cargo a realização
do ataque decisivo.
Enquanto isso, os serviços de escuta da Luftwaffe, instalados sobre a costa do Canal
da Mancha, tinham conseguido finalmente localizar a posição das estações de rádio
que, da terra, controlavam a ação das esquadrilhas da RAF. Essas estações estavam
situadas nos aeródromos da periferia de Londres. Converteram-se, portanto, no
objetivo principal da ofensiva.

O Momento Decisivo

De 19 a 24 de agosto, reinou o mau tempo. Os ingleses, aproveitando a breve pausa,
trabalharam febrilmente e conseguiram consertar os aeródromos danificados e as
linhas vitais de comunicação, que ligavam as estações de radar e os postos de
controle das esquadrilhas de caça.
A RAF, entretanto, se achava em uma situação crítica. De um total indispensável de
1.588 pilotos, o Comando de Caça contava, a 24 de agosto, com 1.377 aviadores. Por
sua vez, as perdas sofridas no transcurso da luta - 90 pilotos mortos e 60 feridos,
desde o dia 8 de agosto - não eram cobertas adequadamente pelos centros de
treinamento. Existia, portanto, a possibilidade ameaçadora de que a força de pilotos
britânicos fosse dizimada a curto prazo, caso os alemães prosseguissem seus ataques
com idêntica violência.
Às 9 da manha de 24 de agosto, a Luftwaffe lançou-se novamente ao ataque.
Escoltados por enxames de caças, as formações de bombardeiros abriram caminho
através da encarniçada resistência das esquadrilhas britânicas e destruíram por
completo o aeródromo de Manston, sobre a costa do canal. Ao norte de Londres, 50
bombardeiros Dornier 17 e Heinkel 111 atacaram a base de North Weald e causaram
graves danos a suas instalações. Aproveitando a confusão causada por essas
incursões, 50 aviões da Luftflotte III realizaram um “raid” de surpresa sobre o Porto
de Portsmouth e, sem encontrar oposição bombardearam a cidade, matando 100 civis
e destruindo numerosos edifícios.
Começou a fase decisiva da batalha. Durante duas semanas, os alemães realizaram 33
ataques maciços no sul da Inglaterra e na periferia de Londres, conseguindo infligir
terríveis danos ao sistema defensivo da RAF. Debaixo da chuva ininterrupta de
bombas, a maior parte dos aeródromos e dos postos de controle ficou, várias vezes,
reduzida a escombros. Só mediante o titânico esforço dos serviços de auxílio e
reparação, foi possível reconstruir e manter em funcionamento as bases e estações de
comando das esquadrilhas de caça.
Um fato inesperado, entretanto, salvou os ingleses da derrota iminente. Na noite de 24
de agosto, 170 bombardeiros alemães cruzaram o canal, a fim de completar a
destruição causada pelos ataques diurnos. Um
grupo de aviões se desviou de seu rumo por causa de um erro de navegação e lançou
suas bombas em pleno coração de Londres. Os ingleses consideraram que o ataque
havia sido intencional e resolveram devolver o golpe. Na noite seguinte, 81
bombardeiros da RAF se internaram na Alemanha e, de surpresa, bombardearam
Berlim. O ataque inglês provocou em Hitler uma reação colérica. A 2 de setembro,
depois que a RAF tinha realizado novas incursões sobre Berlim, o ditador ordenou a
Goering que desfechasse sobre Londres uma ofensiva de represália. Dois dias depois,
pronunciou um violento discurso e anunciou que varreria as cidades ingleses da
superfície da Terra.
A 3 de setembro, seguindo as instruções de Hitler, Goering reuniu seus assessores em
Haia e comunicou-lhes a sua intenção de atacar Londres. O marechal Kesselring
apoiou o plano com entusiasmo, pois, considerava que a RAF já estava praticamente
liquidada. Sperrle, ao contrário, rebateu os argumentos e declarou que os britânicos
ainda dispunham de cerca de 1.000 caças. Interveio, a seguir, o major Schmid, chefe
do serviço de Inteligência da Luftwaffe, o qual, embora reconhecendo que a RAF
sofrera grandes perdas, considerou necessário prosseguir no ataque aos aeródromos,
postos de controle e fábricas de aviação, até alcançar o completo aniquilamento da
força aérea britânica.
Depois de uma agitada polêmica, decidiu-se levar adiante a ofensiva contra Londres.
Sem o saber, Goering salvou, assim, a RAF da destruição. Assim como Hitler,
acreditou erradamente que bastaria desencadear uma série de ataques maciços contra
a velha capital, para obter a derrocada da vontade de resistência da nação britânica e
forçar o Rei a solicitar a paz.
Graças a essa decisão de Goering, a RAF obteve a pausa providencial que lhe
permitiu cobrir os grandes claros abertos em suas fileiras. Durante o mês de agosto,
os ingleses tinham perdido mais de 300 pilotos veteranos e os centros de treinamento
só tinham produzido 260 novos aviadores, desprovidos de toda experiência de
combate. No mesmo período, os alemães tinham conseguido derrubar 486 aviões
britânicos, enquanto as fábricas só tinham entregue, em substituição, 269 “Spitfires” e
“Hurricanes”.
Além disso - e o que era mais grave - seis dos sete postos de controle que dirigiam a
defesa de Londres tinham sofrido enormes danos, bem como numerosos aeródromos.
Como declarou posteriormente o vice- marechal Keith Park, chefe do Grupo 11,
encarregado da defesa do sudeste inglês, se os alemães tivessem prosseguido em seus
violentos ataques contra as instalações terrestres do Grupo de Caça, teriam
conseguido em breve prazo desarticular por completo o sistema defensivo que
rodeava a Capital e Londres estaria indefesa, face aos bombardeios. Nunca, como
nesse momento, a Inglaterra esteve tão perto da derrota.

Londres Sob as Bombas

Na tarde de 7 de setembro de 1940, a Luftwaffe iniciou a batalha de Londres. Hitler e
Goering tinham plena confiança em que a vitória já estava ao alcance de suas mãos.
Entretanto, a força aérea alemã não tardaria a sofrer nova e decisiva derrota. A RAF
ainda estava de pé e seus caças, uma vez mais, iriam infligir perdas ruinosas às
esquadrilhas atacantes.
A luta começou com um surpreendente “raid” realizado por 300 bombardeiros,
escoltados por 600 caças. Em duas ondas sucessivas, os aviões alemães sobrevoaram
o estuário do Tâmisa e conseguiram abrir caminho até o centro de Londres. Em
poucos minutos, arrojaram uma verdadeira chuva de bombas sobre a Capital,
provocando grandes incêndios e a destruição de muitos edifícios. Ao cair da noite, os
alemães reiniciaram seus ataques e continuaram, sem interrupção, até ao amanhecer.
Às 5 horas da manhã, as sirenes anunciaram finalmente a conclusão do bombardeio.
Enormes nuvens de fumaça obscureciam o céu da Capital e, à beira do Tâmisa, ardiam
grandes incêndios. No total, a Luftwaffe lançou sobre Londres, nesse trágico dia, 330
toneladas de bombas explosivas e 440 recipientes de bombas incendiárias. Mais de
300 civis tinham morrido e 1.337 ficaram feridos.
Enquanto a aviação alemã descarregava os seus golpes devastadores sobre Londres, o
Exército e a Marinha encerravam os preparativos para realizar o plano “Leão
Marinho”. A 14 de setembro, Hitler reuniu os chefes da Wehrmacht, a fim de
considerar as possibilidades de êxito do desembarque, à luz dos resultados obtidos
pela ofensiva aérea.
O ditador, depois de formular uma série de argumentos contraditórios, declarou
categoricamente que os pré- requisitos para a realização da invasão não tinham sido
alcançados. A RAF não tinha sido eliminada e recobrava-se, incessantemente, das
suas perdas. Era necessário, em conseqüência, destruí-la por completo,
antes de realizar o desembarque. O mau tempo que reinava, segundo ele, havia
impedido que a Luftwaffe conquistasse a supremacia aérea e, portanto, a ordem final
para o inicio da invasão estava adiada até 17 de setembro. A aviação alemã, desse
modo, contava com três dias para alcançar uma decisão na luta aérea.
O general Jeschonnek, chefe do estado-maior da Luftwaffe, e o almirante Raeder
propuseram então a Hitler que se concentrassem os bombardeios sobre os bairros
residenciais de Londres, a fim de desatar o “pânico maciço” entre a população. O
ditador, entretanto, rechaçou essa sugestão, assinalando que era mais importante a
destruição dos objetivos militares da cidade. Emitiu, em conseqüência, a ordem de
reservar os ataques de terror como “último recurso de pressão”.
Seguindo as diretivas de Hitler, Goering ordenou que as suas forças realizassem, sem
demora, um ataque concentrado contra Londres.
Às 11 da manhã de 15 de setembro de 1940, domingo, as primeiras formações de
bombardeiros alemães começaram a reunir-se sobre seus aeródromos na costa
francesa e foram detectados pelos radares ingleses.
No posto de comando subterrâneo do Grupo de Caça 11, encarregado da defesa da
Capital, Winston Churchill presenciou junto ao vice-marechal Keith Park o desenrolar
dramático da batalha aérea. Minuto a minuto, os informes transmitidos pelas estações
de radar e postos de observação registraram a aparição e o avanço de novas
formações atacantes. Finalmente, chegou um momento em que todos os aviões do
Grupo 11 estavam no ar, empenhados na luta. Churchill, alarmado, compreendeu que
as reservas se haviam esgotado. Os minutos se passaram velozmente. Três
esquadrilhas do Grupo 12 incorporaram-se à batalha e os alemães rechaçados,
empreenderam a retirada para a costa. Uma vez mais, a RAF tinha triunfado.
A vitória inglesa de 15 de setembro teve decisivas conseqüências. Hitler
compreendeu, finalmente, que a Luftwaffe não poderia conquistar a supremacia aérea
indispensável para o desembarque e ordenou que fosse dispersada a frota, reunida
para a invasão das Ilhas Britânicas. Os bombardeiros britânicos, por sua vez,
contribuíram em grande parte para frustrar o projetado desembarque, pois, em
repetidas incursões, destruíram 12 grandes barcos de transporte e mais de 200
barcaças ancoradas nos portos do norte da França, Bélgica e Holanda. O plano “Leão
Marinho” estava liquidado.
Goering, entretanto, não se resignou com a derrota e continuou com os bombardeios
noturnos contra Londres e outras cidades inglesas. Mas, a batalha já estava perdida.
Em três meses de luta cruenta, a Luftwaffe não conseguira cumprir nenhuma das
missões que lhe haviam atribuído. Hitler, diante disso, decidiu procurar a decisão da
guerra em outras frentes e, a 12 de outubro, começou a dispersão das tropas que se
haviam concentrado nos portos do canal. A RAF, com a sua resistência indomável,
tinha salvo a Inglaterra.

O Último Esforço

No dia 20 de outubro de 1940, a Luftwaffe terminou seus ataques diurnos sobre o
território inglês. O Marechal Goering, apesar do fracasso evidente da ofensiva aérea,
decidiu realizar um último esforço, lançando um maciço ataque noturno, contra
cidades e portos da Inglaterra. Já no dia 15 de outubro 480 bombardeiros alemães,
aproveitando a lua cheia, tinham realizado um devastador reide contra Londres, em
uma incursão que alcançou uma escala infernal, causando centenas de incêndios, a
destruição de inúmeros edifícios, a interrupção dos serviços ferroviários e mais de
1.200 mortos e feridos entre a população civil. O último e mais terrível ataque foi
realizado contra Londres no dia 10 de maio de 1941. 3.000 pessoas ficaram mortas ou
feridas. Uma chuva de bombas incendiárias arrasou dezenas de fábricas, os serviços
ferroviários, os cais, os encanamentos de água, luz e gás e ocasionou mais de 2.000
incêndios. Sob a chuva de bombas, a Câmara dos Comuns ficou inteiramente
destruída.
Assim terminou a ofensiva aérea alemã contra a Inglaterra. Por ordem de Hitler, os
efetivos aéreos foram transferidos para o Leste, para serem utilizados na iminente
ofensiva contra URSS.

Anexo

O Sistema Defensivo Britânico

Em julho de 1940, o Comando de caça da RAF contava com uma força de 700
modernos aviões de caça monomotores (Hurricane e Spitfire). O Comando, cujo QG,
instalado na antiga mansão de Bentley Priory, poucos quilômetros ao norte de
Londres, estava integrado por 4 Grupos de Caça que tinham a seu cargo a defesa das
diversas zonas do país.
O Grupo 10 defendia o sudoeste, o 11 o sudeste, o 12 o centro e o 13 os território do
Norte e a Escócia. Os grupos, por sua vez, se dividiam em setores. Cada setor tinha
uma base principal, ou estação de setor, que constituía a célula básica de todo o
sistema defensivo. Nas estações de setor estavam instalados os equipamentos
radiotelefônicos, por meio dos quais era controlado de terra o movimento das
esquadrilhas de caça, com base nos dados obtidos pelas cadeias de radar e pelos
postos de observadores. Os informes das 51 estações de radar, distribuídas ao largo
da costa, eram transmitidos diretamente para o QG de Bentley Priory, onde, num
grande mapa, registravam-se, minuto a minuto, a localização e o deslocamento das
formações alemães e das esquadrilhas britânicas enviadas para interceptá-las. O chefe
do Comando de Caça, marechal Sir Hugh Dowding, tinha assim um panorama
completo da luta aérea sobre o território britânico. De Bentley Priory, eram
transmitidos os informes e as ordens relativas aos comandos dos distintos Grupos. Em
cada estação de setor, um oficial de controle, utilizando esses dados, guiava pelo
rádio o deslocamento das esquadrilhas, até colocá-las no ponto mais favorável para a
interceptação. Uma vez avistados os aviões alemães, o chefe da esquadrilha tomava a
seu cargo a direção dos caças, guiando-os e dirigindo-os até terminar o combate com
os aviões inimigos.

Douglas Bader

Londres, 15 de setembro de 1945. Uma multidão jubilosa aglomera-se nas ruas da
Capital inglesa. A guerra que ensangüentou o mundo está terminada. A luta, o
sofrimento e o medo ficaram para trás.
Nesse dia, 15 de setembro, a RAF realizará seu último vôo em formação de combate.
Será o desfile da vitória. 300 aviadores veteranos de muitas lutas, sulcarão os ares,
atroando o espaço com o rugido dos seus motores. Tripulando-os, centenas de pilotos
saudarão a velha cidade que defenderam. Na cabeça do desfile aéreo, 12
sobreviventes das históricas jornadas de 1940. Na frente deles, como prêmio ao seu
valor, um homem, um piloto sem pernas: Douglas Bader.
Nasceu em 21 de fevereiro de 1910. Em sua infância, foi um menino agressivo, de
caráter indomável. Desde muito pequeno, dedicou grande parte do seu tempo aos
esportes. Em 1922, faleceu o seu pai, devido a feridas que sofreu na Primeira Guerra.
Pouco depois, aos 13 anos, passa suas férias no campo de aviação de Cranwell, sede
da Escola da Real Força Aérea. Fica impressionado com os aviões, os cadetes, a vida
militar. Sente, principalmente o impacto do perigo, de que nunca se afastará. Quando,
pouco mais tarde, abandona a escola para voltar a sua casa, dirá: “Voltarei como
cadete”.
Anos depois, em 1928, consegue concretizar seus propósitos. Ingressa em Cranwell e
torna-se cadete de aviação.
Quatro anos depois, a 14 de dezembro de 1932, sofre um grave acidente, em
conseqüência do qual perde as pernas. Mas a desgraça, irreparável para alguns, não
abala o seu espírito. Devolvido à vida civil, consegue trabalho e refaz a sua vida.
Uma só coisa lhe falta, para devolver-lhe a felicidade completa: os aviões, o ar, o
perigo.
Lenta e pacientemente, aprende a andar com as suas pernas mecânicas. Conduz
automóvel e dedica grande parte do tempo ao golfe. E pensa nos aviões, sua grande
paixão...
Chega, assim, o 1° de setembro de 1939. Estala a guerra e Bader sente a inquietude
dos velhos tempos. Seu país precisa dele, o ar lança-lhe o grande desafio. E Bader
responde imediatamente. Sem vacilar, apresenta-se às autoridades de aviação e
solicita incorporação ao serviço ativo. Talvez com surpresa de sua parte é aceito. São
muitos os que não vêem com bons olhos o piloto sem pernas. Mas são muitos, também,
os que acreditam nele. E Bader corresponde à confiança. A 13 de fevereiro de 1940,
voa pela primeira vez em um Spitfire. Desde esse momento, máquina e homem
integrarão uma unidade.
Seus méritos conduzem-no, lenta mas firmemente, através dos diversos graus
hierárquicos. É promovido a chefe de esquadrilha. Intervêm na evacuação de
Dunquerque, através de várias noites de vôos ininterruptos. E chega assim o 9 de
agosto de 1940. Voa esse dia sobre a França, quando seu avião é derrubado. Depois
do primeiro momento de perplexidade, reage e salta do avião. Mas uma de suas
pernas artificial, a direita, engancha-se no interior da carlinga. Desprende-a e arroja-
se no vazio. Pouco mais tarde, é aprisionado pelos alemães. Conduzido a um hospital,
é tratado pelos germânicos com a maior deferência. São muitos os que se interessam
pelo seu estado e Galland, ás da Luftwaffe, intervém pessoalmente, propondo que se
solicite à RAF o envio de uma nova perna artificial. A Luftwaffe dará ampla garantia
ao avião que a conduza. Pouco depois, a perna é lançada de pára-quedas. Galland
convida então Bader para que visite um de seus aeródromos e permite que ele
examine um Me 109. Depois de uma fracassada tentativa de fuga, Bader continua
prisioneiro até o fim da guerra. Recupera, finalmente a liberdade, com a chegada das
tropas aliadas.

Adolf Galland

Dia 12 de maio de 1940. Poucas milhas a leste da cidade belga de Liege, dois
Messerschmitt voam lado a lado, em perseguição aos aviões aliados. Repentinamente,
o piloto de uma das máquinas, o jovem Adolf Galland, avista 600 metros abaixo do
seu avião, uma formação de 8 Hurricanes ingleses. Sem titubear, empurra o manche e
lança-se sobre os caças ingleses. Mais atrás, o seu companheiro acompanha-o na
manobra. Galland, invadido por uma estranha calma, aponta cuidadosamente para um
dos Hurricanes e o enquadra em sua mira. Seu polegar aperta o gatilho e um feixe de
traçadoras converge inexorável sobre a frágil fuselagem do Hurricane. O piloto
britânico tenta uma manobra evasiva mas, cai sob o fogo das metralhadoras do outro
Messerschmitt. Galland, com uma manobra impecável, volta a colocar o Hurricane em
seu campo de tiro e derruba-o com uma rajada prolongada. Nesta tarde, na base,
Galland festeja com seus camaradas a sua primeira vitória.
Adolf Galland nasceu em 1911. Em 1928 com 17 anos, concretiza a sua vocação
aeronáutica e realiza o seu primeiro vôo com um planador. Pouco depois, em 1932,
ingressa em um aeroclube e obtém seu brevê de piloto. O ano de 1934 surpreende-o
como segundo-tenente aviador da Luftwaffe. Em 1935 incorpora-se em Berlim, ao
grupo de caça Richtoffen. Em 1937, combate na Espanha como membro da Legião
Condor. Em 1940, atua como chefe de ala no 26°
Grupo de Caça. A 1° de agosto de 1940, ao obter o seu 17° triunfo, recebe do
marechal Kesselring a cruz de cavaleiro. É designado comodoro e chefe do 26° Grupo
de Caça. Goering rompe assim a tradição, designando um oficial jovem para cargo tão
alto. A 24 de setembro de 1940, alcança sobre o Tâmisa, a sua 40ª vitória e recebe,
como prêmio, as folhas de honra para a cruz de cavaleiro. Molders, outro ás célebre,
com quem mantinha uma verdadeira competição, recebera-as dois dias antes.
Concluída a batalha da Inglaterra, continua combatendo sobre o canal e sobre a costa
da França. Seu grupo derruba mais de 500 aviões inimigos. A 21 de junho de 1941,
junto com o 70° triunfo, recebe as espadas de diamante para a sua cruz de cavaleiro.
Em dezembro de 1941, é designado general comandante da força aérea de caça, cargo
que ocupa até janeiro de 1945. Mantém constantes disputas com Goering, defendendo
o incremento da força de caças, para defender a Alemanha dos bombardeiros aliados,
e briga ardentemente pela fabricação de caça de retropropulsão Messerschmitt 262.
Nesse ponto, entretanto, choca-se com a oposição de Hitler, que decide converter esse
avião em caça bombardeiro. Finalmente, é destituído e assume, então, o comando de
uma esquadrilha de caças Me 262, com a qual combate até o fim da guerra.
A 25 de abril de 1945 diz a seus pilotos: “A guerra está perdida... Embora nossa ação
nada possa alterar, continuarei combatendo... Estou orgulhoso por estar entre os
últimos pilotos de caça da Luftwaffe... Só os que sintam o mesmo continuarão voando
comigo...
A 26 de abril, cumpre a sua última missão de guerra. Conduz seis caças Me 262
contra uma formação de bombardeiros Marauders americanos. Ferido pelo fogo de um
Mustang, aterrissa com o seu avião avariado. Pouco depois é aprisionado.
Levado para a Inglaterra, em 1945, voltou a encontrar-se com Douglas Bader no
aeródromo de Tangmere. O ás inglês, nessa oportunidade, retribuiu as gentilezas de
que tinha sido objeto por parte de Galland durante o seu cativeiro na Alemanha.

A Batalha Aérea

Relato dos jornais sobre ações aéreas desenroladas no céu da Inglaterra detalhando os
ataques de aviões alemães e o trabalho das esquadrilhas de Hurricanes e Spitfires,
encarregados da defesa.
Londres 11 de agosto
“Pela segunda vez em quatro dias, 60 aviões alemães de caça e de bombardeio foram
derrubados ao largo das nossas costas. Desde as 7.30 hs de hoje, nossos Hurricanes e
Spitfires e nossas baterias antiaéreas repeliram os ataques de 400 aviões inimigos aos
portos e aos barcos das costas sul e leste. Foram perdidos 24 de nossos pilotos de
caça”.
“Entre 50 e 60 aviões inimigos apareceram sobre Dover. Os primeiros aparelhos
britânicos que saíram em sua perseguição foram os de uma esquadrilha de Spitfires
que entrou 4 vezes em ação durante o dia. O ataque terminou com a destruição de 10
Me 110”.
“Pouco depois das 10, grande quantidade de bombardeiros e caças voaram sobre
Portland. Cerca de 150 alcançaram a costa. Nessa ação, 40 caíram no mar, ou em
terra, quando as esquadrilhas de Spitfires e Hurricanes lançaram-se sobre eles,
rompendo suas formações e atacando-os em lutas encarniçadas”.
“Mal haviam terminado os combates sobre Portland quando começou outra batalha
aérea ao norte de Dover, até chegar- se a Northfereland. A esquadrilha de Spitfires
que tinha começado o dia lutando entrou pela quarta vez em combate”.
“O chefe da esquadrilha foi condecorado com a cruz de vôo com uma barra. O oficial
de administração que voava com ele, de 40 anos de idade, derrubou um avião inimigo
e avariou outro”.
O bom humor não abandonou o povo britânico, mesmo nos piores momentos da
ofensiva aérea contra a Inglaterra. Estas duas notícias o provam:
Resultado: “68 a 13”
Londres, 14 de agosto
Apesar da intensidade dos bombardeios, o moral do povo inglês é elevadíssimo.
Todos - mulheres, homens e crianças - estão seguros de que a Alemanha será
derrotada. São exemplos disso os vendedores de jornais, cujos pregões tem frases
desse tipo: “Só 38 derrubados. Joga-se agora o tempo complementar”. E mais
embaixo, com a hora de 3 da madrugada: “61 depois do tempo complementar”. Outro
vendedor havia escrito em seu cartaz: “68 a 13. Por causa da chuva, suspendeu-se o
jogo”.

Cotação 35-40

As autoridades da Bolsa de Valores de Londres evidenciaram seu desagrado ao
conhecer uma estranha cotação que apareceu no quadro negro: Messerschmitt: 35-40.
Investigado o episódio, soube-se que os corretores praticam já há vários dias um novo
jogo na Bolsa. A cotação anterior significava que o corretor que a subscrevera
comprava títulos de Messerschmitt a 35 e vendia a 40. Mas o que tivesse vendido a
este corretor por 35, devia pagar hoje 78 (cotação de hoje), pois, esse é o numero de
aviões alemães derrubados. O que comprou a 40, ganhou 38 unidades, que podem ser
pênis ou libras.

O velho humor britânico não abandona os ingleses.
Bombas


Londres, 21 de agosto - A película, um musical sem importância, tinha uma assistência
de 300 ou 400 pessoas. De súbito, inesperadamente, a luzes da sala se acendem e o
filme foi interrompido. Houve murmúrios na platéia. Em
seguida, saindo de trás da tela, um funcionário do cinema, anunciou com absoluta
indiferença: - Há um alarme. Quem desejar abandonar a sala pode fazê-lo.
Continuaremos projetando o filme dentro de dois minutos...
Algumas pessoas se levantaram e saíram em direção à rua
Instantes depois, as luzes se apagam e o filme continuou
Fora dali, meia hora depois de se haverem encerado os espetáculos teatrais e de
cinema, muita gente ainda esperava, sem conseguir nem taxis nem ônibus que os
transportassem. A maioria esperava sentada no meio-fio. Mas, em geral, são poucos
os que abandonam suas casas à noite. Nessas horas, em que os alarmes alcançam a sua
maior intensidade, as pessoas preferem não se separar do resto da família. E assim,
transcorrem horas e horas no interior dos refúgios de madeira, construídos nos jardins
ou pátios internos. Dentro, a comodidade é pouca, mas, são muitos os que estenderam
conexões elétricas da casa até o refúgio e que passam as horas lendo ou jogando
xadrez. Há muita gente que já não abandona o leito, à chegada dos aviões inimigos. A
esse respeito, o Sunday Pictorial insiste na necessidade de dormir e aconselha a seus
leitores que durmam em colchões, nos andares inferiores, junto às paredes do centro
da casa. Aconselha também que escolham para dormir os lugares sob as escadas, a
menos que os refúgios disponíveis possam ser convertidos em dormitórios.

Campanha Aérea da Inglaterra

Poderio aéreo inglês


Unidades de caça:
Hurricanes: 22 esquadrões
Spitfires: 20 esquadrões
Blenheims: 8 esquadrões
Material antiaéreo:
Canhões pesados: 1.200
Canhões leves: 549
Refletores: 5.932
Balões cativos: 1,741
Estações de radar: 51
Postos de observação: 1.400
Observadores: 30.000

Poderio aéreo alemão

2ª Frota Aérea - Kesselring
II Corpo Aéreo - Loerzer
X Corpo Aéreo - Grayert-Coeler
3ª Frota Aérea - Sperrle
VIII Corpo Aéreo - Richthofen
IX Corpo Aéreo - Frolich
XI Corpo Aéreo - Aerotransportado - não atuou Força total:
Bombardeiros - 998
Caças, 805 Me 109 e 224 Me 110
Stukas - 261

Perdas de aviões:
Alemães - 1.733
Ingleses - 915

Perdas de tripulantes:
Alemães - 6.000
Ingleses - 733

Aviões alemães derrubados pela artilharia pesada - 169
Artilharia leve - 56

Média de disparos por avião
Artilharia pesada - 427
Artilharia leve - 152

Aviões derrubados de dia: 207; à noite: 22

Bombas lançadas pela Luftwaffe (Agosto-Outubro de 1940)

Objetivo
Explosivas (em ton) Incendiárias (rec *) Londres
13.755
14,421
Liverpool
1.000
2.116
Birmingham
447
Coventry
271
Bristol
135
Southampton
123
Plymouth
63
Outros alvos
1.519
Barcos, ferrovias, fábricas, etc 3.193
Total
20.506
* rec = recipiente: Cada um levava 36 bombas de 1 kg
1.075 831
126
77
74
499
3.682 22.901

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