Campanha da
França Na manhã de 10 de janeiro de 1940, O general Franz Halder, chefe do Estado-Maior do Exército alemão, recebeu de Hitler a ordem para o inicio do ataque contra a França. Sem demora, Halder deu as instruções finais aos comandantes dos diferentes exércitos. A 17 de janeiro, pela madrugada, as 135 divisões da Wehrmacht se lançariam ao assalto ao ocidente. De acordo com as diretrizes partidas de Hitler, as forças alemães avançariam através dos territórios da Holanda e da Bélgica, flanqueando pelo norte, as fortificações da Linha Maginot. Esse plano, de nome “Amarelo” carecia de toda originalidade, pois seguia sem maiores variações as linhas do célebre plano Schlieffen, usado pelos alemães em sua fracassada invasão da França, na Primeira Guerra. Na noite de 10 de janeiro, um avião da Luftwaffe decolou do aeroporto de Munster e seguiu rumo ao sul. A bordo, viajava o major Helmut Reinberger, oficial de ligação das forças aerotransportadas, que se dirigia à cidade de Bonn, sede do comando da 2ª Frota Aérea, para discutir com os chefes daquele corpo alguns detalhes da iminente ofensiva. Em sua pasta, Reinberger levava uma cópia do plano completo das operações da invasão da França. Era uma noite tempestuosa e os fortes ventos desviaram o avião da rota. O piloto desorientado, transpôs, sem perceber, a fronteira belga. Durante longo tempo voou sobre campos cobertos de neve, sem estabelecer a sua posição. Finalmente, sem combustível, viu-se obrigado a fazer uma aterragem forçada, nas cercanias da cidade de Machelen-sur-Meuse. Ao descer do avião, um grupo de guardas de fronteira dirigiu-se ao lugar da aterragem. Reinberger, angustiado, abandonou o aparelho e tentou queimar os documentos vitais, o que não conseguiu fazer. Os soldados belgas apoderaram-se dos papeis e prenderam Reinberger e o piloto. Quando chegou a Berlim a notícia do acidente, os chefes da Wehrmacht compreenderam que o segredo da invasão estava perdido. Hitler enfurecido, ordenou suspendê-la a 13 de janeiro e resolveu adotar novo plano. Por sorte, existia já um projeto que diferia radicalmente do que havia caído em mãos aliadas. Seu autor era o general Von Manstein, um dos mais brilhantes estrategistas do Exército alemão. O plano de Von Manstein: A 31 de outubro de 1939, von Manstein, que ocupava o cargo de chefe do Estado-maior do Grupo de Exércitos A, levou a seu superior, o general Rundstedt, o primeiro projeto do plano que havia de assegurar, nove meses após, a derrota total da França. Sua concepção afastava-se dos cânones clássicos e garantia diferentemente do plano “Amarelo”, a plena aplicação dos princípios revolucionários da “guerra relâmpago”. Manstein propunha concentrar o grosso das forças alemães, especialmente as divisões Panzer, na verde e agreste região das Ardenas, para atacar de surpresa o débil flanco sul dos exércitos aliados, estabelecidos ao largo da fronteira norte da França. Os chefes franceses e britânicos consideravam as Ardenas, como uma impenetrável barreira natural, pois era quase totalmente destituída de estradas para os carros blindados. Por isto, destacaram para ali, poucas divisões, integradas em sua maioria de reservistas e tropas de segunda classe. Existia, portanto, a possibilidade de realizar naquela zona uma rápida ruptura. Uma vez rompida a frente, os tanques seguidos pela infantaria motorizada e apoiadas pela aviação, avançariam a toda velocidade até as costas do Canal da Mancha, cercando pela retaguarda as tropas inimigas. Essa seria a missão do Grupo de Exércitos A, comandada por von Rundstedt. O Grupo de Exércitos B, sob o comando de Von Bock, se lançaria ao ataque pelo norte, através da Holanda e da Bélgica e atrairia as forças franco-britânicas ao interior da Bélgica, a fim de separá-las das fortificações da fronteira. Um terceiro grupo de exércitos, o C, comandado por Von Leeb, ficaria postado diante da Linha Maginot, com a missão de imobilizar as numerosas divisões francesas ali destacadas. |
Ao internar-se na Bélgica para enfrentar o ataque do grupo de exércitos B, as forças aliadas seriam tolhidas na retaguarda pelas divisões blindadas. Desta forma, por meio de uma gigantesca batalha de aniquilamento se faria a destruição total do grosso dos exércitos aliados. O ousado projeto de Manstein foi, no entanto, posto de lado pelo general Brauchitsch, Comandante-Chefe do Exército, embora o general Guderian, o mais destacado especialista na guerra de tanques, o tenha apoiado com entusiasmo. Manstein, não obstante, não desanimou e, em repetidas oportunidades, levou a seus chefes detalhados informes, em apoio do plano. Finalmente, a 27 de janeiro, Brauchitsch decidiu acabar com a insistência do obstinado general e o afastou de suas funções de chefe do Estado-Maior, designando-o comandante de um corpo de infantaria, que se achava em formação no interior da Alemanha. Foi nessa ocasião que Hitler decidiu alterar seus planos de ofensiva. A 17 de fevereiro, Manstein foi convidado a comparecer à Chancelaria do Reich, junto com os chefes de todas as novas unidades do Exército. Ao terminar a reunião, Hitler o chamou à parte e o convidou a passar ao seu gabinete. Uma vez sozinhos, ordenou-lhe que expusesse os pormenores do seu plano. Manstein fez uma explicação detalhada, sem que Hitler o interrompesse uma só vez. Ao finalizar sua exposição, Hitler pôs-se de pé e, apertando-lhe a mão, comunicou-lhe, com entusiasmo, que estava plenamente de acordo com as suas idéias. Três dias após, Halder recebeu ordem de substituir o plano “Amarelo” pelo projeto de Manstein. Sem demora, foram dadas as novas diretrizes e se realizou o reagrupamento das forças. Sete das 10 divisões Panzer da Wehrmacht foram anexadas ao grupo de exércitos de von Rundstedt. Esta gigantesca falange blindada com mais de 1.500 tanques, realizaria a irrupção de surpresa, através dos “intransponíveis” bosques das Ardenas. Começa a ofensiva: Na tarde de 9 de maio de 1940, Hitler subiu em seu trem especial, acompanhado pelos generais Keitel e Jodl. Logo depois, o trem deixou a estação e dirigiu-se velozmente para a localidade de Muenstereifel, situada a cerca de 30 km da fronteira belga. Ali, o ditador havia instalado o seu QG, de onde se dispunha a dirigir a campanha contra a França. Às 21h e ainda na metade do caminho, Hitler recebeu o informe das perspectivas do tempo para o dia 10: totalmente favoráveis. Sem vacilar um instante, deu a Keitel a ordem de ataque: “Danzig!”. Ao receber a ordem., o general Halder dispôs que as forças da Wehrmacht se lançasse ao assalto através da fronteira, tão logo o sol aparecesse. Às 5h de 10 de maio, as esquadrilhas da Luftwaffe decolaram e mais de 3.000 aviões atacaram de surpresa os aeródromos do norte da França, Bélgica e Holanda e destruíram em terra centenas de aviões aliados. A supremacia aérea alemã ficou assim provada, praticamente, desde o primeiro dia de luta. Simultaneamente, 4.500 pára-quedistas e 20.000 soldados aerotransportados desciam na Bélgica e na Holanda, para tomar intactas as pontes, por onde penetrariam as forças do Exército até o oeste. Um reduzido grupo de 78 sapadores, comandados pelo tenente Witzig, aterrissou em planadores junto à cúpula principal do forte Eben Emael, ponto chave das defesas da fronteira belga e, mediante um ousado golpe, conseguiu tomar as galerias superiores. Embaixo, nas entranhas do forte, ficaram isolados 1.200 soldados belgas. Reforçados com novos contingentes de pára-quedistas, Witzig conseguiu manter confinados os belgas até a chegada, ao meio-dia, dos tanques da vanguarda, do 6° Exército de von Reichenau. O caminho para Bruxelas estava livre. Em Roterdã, os pára-quedistas comandados pelo General Student, tomaram os aeródromos e as pontes vitais sobre o rio Mass. No entanto, o ataque contra Haia, conduzido pelo general conde de Sponeck, foi rechaçado pelos holandeses. 500 pára-quedistas desceram na Bélgica, junto à margem do Canal Alberto, profundo curso d’água que os aliados pensavam em utilizar como barreira antitanque e tomaram as três pontes principais, sem luta. |
Às 6:30h da manhã, após receber os primeiros informes do fulminante ataque alemão, o general Gamelin, comandante-chefe do Exército francês, ordenou a seus exércitos que saíssem ao encontro dos alemães. Uma hora depois, duas divisões mecanizadas entravam na Bélgica e avançaram velozmente para leste, em meio às aclamações da multidão que margeava as estradas. A conquista da Holanda: Na manhã de 13 de maio, a vanguarda do 18° Exército de Von Kuchler, fez contato, finalmente, com os pára-quedistas, que, há três dias combatiam nas pontes, diante de Roterdã. Dois dias antes, a 9ª DP (divisão Panzer), apoiada pela Luftwaffe, repeliu até o sul o 7° Exército francês do general Giraud, cujas unidades tinham avançado rápido pela costa, para ajudar a guarnição de Roterdã. A sorte da Holanda estava selada. Protegido pela rede de canais, o grosso do Exército holandês se entrincheirou em torno de Haia e se preparou para oferecer uma resistência desesperada. Hitler decidiu então dar um golpe de terror, com o objetivo de obter a imediata capitulação do país. A 13 de maio, ordenou à Luftwaffe que realizasse um bombardeio maciço contra Roterdã, sem saber que a sua guarnição já havia iniciado negociações para a rendição da cidade. Às 3 da tarde, apareceram sobre Roterdã as primeiras esquadrilhas de Stukas. O general Choltitz, chefe das tropas aerotransportadas sediada nas pontes, ordenou imediatamente que se disparassem sinais luminosos, para avisar os aviões que interrompessem o ataque. Apesar disso, a má visibilidade e a fumaça dos incêndios impediu que uma das esquadrilhas avistasse os sinais e seus aviões deram início ao bombardeio. Em poucos minutos, todo o centro da cidade ficou reduzido a escombros e morreram mais de 800 civis. Logo após, a guarnição se rendia, e as tropas alemães entraram na cidade em chamas. O caminho de Haia ficava assim aberto. Pela tarde a Rainha Guilhermina embarcou num destróier inglês e solicitou ao capitão que a conduzisse ao porto de Flushing, ao sul da Holanda. O comandante porém, negou- se a fazê-lo e se dirigiu diretamente à Inglaterra. No dia seguinte, o general Winckelmann, comandante do Exército holandês, rendeu o seu país aos alemães. Os aliados caem na armadilha: Na tarde de 10 de maio as divisões da vanguarda francesas, comandadas pelo general de Prioux, chegaram às margens do Dyle. Era ali que Gamelin queria concentrar o grosso das forças franco-britânicas - o 1° Grupo de Exércitos do General Billotte - para resistir à investida dos alemães. Nesse momento, as tropas do 6° Exército alemão, precedidas por duas DP, internavam-se na Bélgica, pelas pontes do Mosa e do Canal Alberto. No dia seguinte, após capturar o forte Eben Emael, os tanques alemães flanquearam a cidade de Liege e se dirigiram rápido ao Dyle. Às 13h, encontraram os blindados do general Prioux, que se haviam adiantado em direção à fronteira. A principio, os franceses, tentaram deter os Panzer, mas logo a Luftwaffe lançou ao ataque suas esquadrilhas de Stukas e Prioux, após sofrer grandes perdas, viu-se obrigado a retirar-se precipitadamente. Sem demora, enviou mensagem ao general Billotte, sugerindo-lhe que renunciasse ao avanço sobre o Dyle, devido a extraordinária potência do ataque alemão. Billotte, no entanto, recusou o conselho e ordenou a suas unidades que apressassem a marcha para o rio. A 13 de maio, as divisões francesas e o Corpo Expedicionário Inglês do General Gort, chegaram, finalmente, à linha “fortificada” do Dyle. Com surpresa e consternação, os chefes aliados comprovaram que não havia ali obra nenhuma de defesa permanente. Os belgas se haviam limitado a construir uma série de débeis redutos, protegidos por simples arames farpados. Apesar disso, Billotte ordenou a suas tropas que se entrincheirassem junto ao rio. |
Até então, a Luftwaffe, havia limitado a sua ação à frente de combate, razão pela qual os aliados puderam se mover tão rápido para a frente. Isto criou dúvidas no Comando, mas Gamelin convencido de que os alemães atacavam principalmente, pelo norte, através da Bélgica e Holanda, manteve a sua conduta. E era exatamente isto que os alemães queriam. No mesmo momento em que as forças de Billotte se preparavam na Bélgica para travar a batalha “decisiva”, ao sul, 44 divisões do Grupo de Exércitos de Rundstedt, precedidos por 3 Corpos Panzer, com mais de 1.500 tanques, acabavam de cruzar as Ardenas. Dispostas em intermináveis colunas, os blindados marcharam dois dias sem parar, sem encontrar resistência e na tarde de 12 de maio, chegaram de surpresa nas margens do Mosa e se dispuseram a cortar o centro das linhas aliadas. Tudo correu como devia. Ruptura no Mosa: Na madrugada de 13 de maio, as tropas de assalto da 7ª DP, do general Erwin Rommel, conquistaram a primeira cabeça de ponte sobre a margem esquerda do Mosa, na cidade belga de Dinant. Rommel então ordenou de imediato ao resto das forças que cruzassem o rio e iniciassem o avanço para o oeste. Mais ao sul, em Sedan, o General Guderian apressou-se em executar a operação decisiva. Suas três divisões blindadas apoiadas pelos Stukas, iam tentar a ruptura da frente no ponto de união entre o 9° Exército do general Corap e o 2° do general Huntziger. Dessa forma, todas as forças aliadas no norte da França e na Bélgica, ficariam separadas das fortificações da Linha Maginot. Às 16h, após um demolidor bombardeio aéreo, que silenciou as baterias francesas, as tropas de assalto do regimento de infantaria Grossdeutschland cruzaram o rio em centenas de botes de borracha e se entrincheiraram na outra margem. Guderian acompanhou as suas tropas e ordenou a imediata construção de pontes de barcaças, para acelerar a passagem dos tanques. Na manhã seguinte, as três DPs haviam atravessado o Mosa e iniciaram o seu esmagador avanço, semeando o pânico entre as desmoralizadas tropas francesas. Milhares de soldados abandonaram suas posições sem lutar e fugiram desordenadamente, pelos caminhos e estradas que conduziam ao oeste. A ruptura era completa. O General Georges, Comandante-chefe das forças aliados no norte da França, ordenou um contra-ataque contra o flanco sul da cabeça de ponte alemã. Dois regimentos de infantaria, apoiados por vários batalhões de tanques, lançaram-se contra as posições alemães, mas foram repelidos e sofreram pesadas perdas. Na tarde de 14 de maio, Guderian ordenou a duas de suas divisões que seguissem ao oeste, para empreender sem tardar a marcha até o litoral do Canal da Mancha. Mais ao norte, o Corpo Blindado do general Reinhardt que havia cruzado o Mosa em Monthermé, avançava já para o oeste, após ter aniquilado as unidades do 9° Exército francês que defendiam o local. Ao cair da noite, o General Huntziger, chefe do 2° Exército francês, ordenou a retirada de suas forças até às fortificações da Linha Maginot, para não serem aniquiladas pela maré dos blindados alemães. Na madrugada de 15 de maio, o General Corap, por sua vez, ordenou que os restos do seu 9° Exército abandonassem suas posições no Mosa e formassem uma nova linha defensiva mais para oeste. Dessa forma, abriu-se no centro das linhas aliadas, uma brecha de mais de 90 km de largura, através da qual se precipitaram as divisões Panzer até o coração da França.. A corrida para o Canal: Na manhã de 15 de maio, Guderian recebeu ordens do general von Kleist, chefe do Grupamento blindado, para deter o avanço e consolidar a cabeça de ponte sobre o Mosa. Enfurecido, Guderian telefonou de imediato ao seu superior e lhe solicitou energicamente autorização para continuar o avanço, para explorar a fundo o êxito alcançado na véspera por suas unidades. Kleist, finalmente, acedeu e permitiu o avanço dos tanques durante 24 horas. Era o que Guderian necessitava. Sem demora, foi juntar-se às suas divisões e lhes ordenou o reinicio do ataque. |
Às 9h da manhã, a 1ª Divisão Blindada francesa, comandada pelo general Bruneau, atacou o flanco norte da cunha alemã, no desejo desesperado de conter avanço das divisões Panzer. Apesar disso, os lentos e antiquados tanques franceses não conseguiram o seu objetivo. Ao terminar o dia, a divisão de Bruneau havia deixado de existir. Os restos calcinados de seus veículo marcavam a rota de avanço dos tanques de Rommel. Ao sul, as divisões de Guderian avançavam velozmente, precedidas por esquadrilhas de Stukas, sem enfrentar praticamente nenhuma resistência. Às 20h, suas unidades de vanguarda encontravam-se perto de Montcornet, situada a menos de 100 km, ao norte de Paris. Na capital a vida transcorria normalmente, sem que a população tivesse a menor notícia da proximidades das forças alemães. Mas, nos círculos governamentais, corriam já os primeiros rumores da catástrofe que se havia desencadeado sobre os exércitos franceses que defendiam o Mosa. No seu QG, em Vincennes, Gamelin, desesperado, compreendeu que tudo estava perdido. Seu único exército de reserva, o 7° do general Giraud, se achava lutando, por ordem sua, no norte da Bélgica. Não contava, em conseqüência, de nenhuma força para fechar a gigantesca brecha aberta pelos blindados alemães. Paris corria o risco de ser ocupada pelos alemães em questões de horas. Às 20:30 horas, Gamelin telefonou a Edouard Daladier, ministro da defesa e lhe comunicou a trágica notícia. Pouco depois, tomou uma série de medidas desesperadas, para reconstituir a frente. Os exércitos aliados que combatiam na Bélgica abandonariam logo as suas posições no rio Dyle e estabeleceriam uma nova linha defensiva mais para a oeste, nas margens do Escalda. Por sua vez, O 7° Exército de Giraud se deslocaria em marcha forçada até o sul, para deter o caminho dos blindados alemães. Para defender Paris, o 6° Exército do general Touchon, destacado em frente à fronteira da Suiça, marcharia para o norte e tentaria se estabelecer nas margens do rio Aisne, sob a proteção da 4ª DB (divisão blindada) que, sem demora, deveria atacar, as unidades Panzer que operavam em Montcornet. Enquanto Gamelin, dava as últimas instruções aos diferentes exércitos aliados, os tanques alemães prosseguiam seu avanço vertiginoso para o oeste. Na manhã de 16 de maio, as divisões de Guderian ocuparam Montcornet e, sem se deter, prosseguiram avançando até esgotar suas últimas reservas de combustível. O ataque ficou assim momentaneamente paralisado, bem perto do rio Oise. Aproveitando a pausa, Guderian reuniu os chefes de todas as unidades e lhes deu diretivas para a realização da última investida até a costa da Mancha. Mais ao norte, os Corpos Blindados dos generais Reinhardt e Hoth alcançaram também neste dia as margens do Oise. A armadilha montada por Manstein estava prestes a se fechar sobre a cabeça os exércitos aliados. Pânico em Paris: Seguindo as ordens de Gamelin, o coronel Charles De Gaulle, designado chefe da 4ª DB, se dirigiu a 16 de maio à cidade de Laon, para organizar um ataque contra o flanco sul da cunha aberta pelos Panzer. De Gaulle, amargurado, viu que a sua “divisão blindada” era apenas uma unidade em formação, integrada por 150 tanques, em sua maioria antiquados, tripulados por soldados carentes de toda a instrução. Como apoio de infantaria só contava com um batalhão transportado em ônibus. Apesar disso, o jovem coronel dispôs-se a levar a adiante a temerária operação. Na madrugada deste dia, Gamelin telefonou urgentemente a Daladier, e, com voz angustiada, comunicou-lhe que declinava de toda responsabilidade com respeito à sorte de Paris, pois, nesse momento, as forças alemães estavam a poucos quilômetros ao norte da cidade. Paris podia cair nessa mesma noite. Nestas circunstâncias caóticas, chega a Paris, Winston Churchill que na mesma tarde, manteve uma conferência com os governantes franceses. |
Foi assim que Churchill, pela primeira vez, percebeu claramente a catástrofe que ameaçava desencadear-se sobre os exércitos aliados. Nessa mesma tarde, pediu urgentemente ao seu Governo que autorizasse o envio à França de 19 esquadrilhas de aviões de caça. No entanto, nada mais podia alterar o inexorável desenvolvimento dos fatos. Na madrugada de 17 de maio, De Gaulle lançou ao ataque seus tanques, em direção à cidade de Montcornet. Combatendo encarniçadamente, os lentos blindados franceses tentaram abrir passagem através dos surpresos destacamentos de infantaria alemães e, durante algumas horas, conseguiram manter-se em Montcornet. Finalmente, ao cair da noite e após suportar os incessantes ataques dos Stukas, De Gaulle ordenou a retirada de suas forças para o sul. O ataque fracassara totalmente. O cerco se fecha: Na manhã de 17 de maio, Guderian se dispôs a reiniciar o avanço até as costas do Canal. Nesse momento, recebeu urgente mensagem do QG, anunciando-lhe que devia transportar-se imediatamente a um improvisado campo de aterrissagem, situado nas cercanias de Montcornet, para aguardar a chegada do general von Kleist, chefe de Grupo dos Exércitos Blindados. Pouco depois teve lugar a entrevista. Kleist, sem saudar a Guderian, censurou-o violentamente, afirmando- lhe que, ao abandonar, com suas divisões, a cabeça-de-ponte do Mosa, havia infringido ordens do Alto Comando. Guderian, enfurecido, solicitou dispensa do comando, com o que Kleist concordou. Assim, ficou novamente paralisada o avanço das divisões Panzer. Qual a causa dessa intempestiva ordem do Alto? Nessa manhã. Hitler tivera uma entrevista com o general Rundstedt e, ao inteirar-se da profunda penetração realizada pelos blindados, ordenou deter imediatamente o seu avanço. Hitler temia que os franceses lançassem de surpresa um contra-ataque contra o flanco sul da cunha aberta pelos tanques e conseguissem separá-los das forças de infantaria, que se encontravam ainda completando a passagem do Mosa. Esta primeira intervenção de Hitler na condução da campanha mostrou aos chefes da Wehrmacht que o ditador carecia, por completo, das qualidades de um verdadeiro líder militar. Sua irresolução e seus exagerados temores o levariam, novamente, dias mais tarde, a ditar a funesta ordem de alto às divisões blindadas, o que permitiu que o grosso das tropas inglesas escapasse pelo porto de Dunquerque. Pouco depois da entrevista com Kleist, Guderian recebeu a visita do general List, enviado pessoal de von Rundstedt. Após informar-se dos pormenores do incidente, List repôs Guderian no comando e o autorizou a prosseguir o avanço, com “fins de exploração”. Este era o pretexto que Guderian queria. Sem perder um instante, ordenou a seus tanques que se pusessem novamente em movimento. Nesse mesmo dia, os Panzer franquearam o rio Oise e, na manhã seguinte, ocuparam a cidade de Saint Quentin. Ao norte, os corpos blindados de Reinhardt e Hoth prosseguiram o avanço, envolvendo os restos do 9° Exército francês que se interpunham em seu caminho. Na manhã de 19, De Gaulle, reforçado com alguns batalhões de tanques leves, lançou-se novamente ao ataque, para cortar as linhas de abastecimento de Guderian. A 4ª DB avançou em direção ao Oise, mas não conseguiu abrir passagem através das unidades que protegiam o flanco alemão. Ao meio-dia, De Gaulle recebeu a ordem de suspender o ataque e retirar-se ao sul. Havia cumprido a sua missão. O 6° Exército o general Touchon acabava de terminar a sua concentração ao norte de Paris. A capital, por enquanto, estava a salvo. Entretanto, os tanques de Guderian continuavam a sua marcha vertiginosa para oeste. Na manhã do dia 20, ocuparam a cidade de Amiens e, nesta mesma tarde, tomaram Abbeville, na foz do rio Soma. Ao cair da noite, um batalhão de vanguarda alcançou as costas do Canal da Mancha, na localidade de Noyelle. A armadilha fora fechada. |
12 de maio de 1940: Longe, muito longe. Alto, muito alto. São apenas pontos escuros que aparecem como manchas contra o azul do céu. Mas, é suficiente. A estrada, cheia de soldados e civis que fogem ante o avanço alemão, começa a esvaziar. Jogando-se para ambos os lados, os homens afundam nas valas, no barro, atrás dos troncos caídos, sob grandes pedras. Os pontos escuros aumentaram de tamanho. Agora são visíveis. Tem assas em forma de W e um trem de aterrissagem que sobressai de forma algo grotesca. O nariz do aparelho, grosso e achatado avança agressivo. Sob seu ventre, negra e brilhante, a bomba brilha ameaçadora. Os homens olham para o alto. Alguns com ódio. Outros com terror. Logo, com um ruído estremecedor, os “Stukas” descem em picada. Os homens fecham os olhos e se colam no fundo das valas... Alto, muito alto, os grandes “Dornier” marcham, imperturbáveis, até o oeste. A seu redor, voando como pássaros, os “Messerschmitt” 110 e 109 percorrem o céu. Após o bombardeio demolidor, aparecem as colunas alemães. Caminhões, automóveis, motociclistas e tanques, uns após outros, interminavelmente. Os batalhões alemães passam, incontidos. Atrás, vão ficando os canhões antiaéreos, em posição, prontos para disparar. A coluna se detém. Centenas de soldados descem dos caminhões e acendem seus cigarros. Outros se estendem, para descansar na sombra dos veículos. Logo as sirenes dos caminhões começa a soar. Gritos. Ordens, Apitos. Alarme aéreo. Os alemães se atiram nas valas. Em alguns lugares compartilham o lugar com franceses e soldados em retirada. Aparelhos franceses aparecem voando a baixa altura. as bocas das metralhadoras antiaéreas desencadeiam um fogo demolidor. As traçadoras riscam o céu, em busca das delgadas fuselagens. O primeiro avião desce perigosamente, até quase roçar a copa das árvores. Enquadra a estrada em sua mira e lança uma torrente de chumbo. Depois, toma altura e lança uma pequena bomba. Seu motor, alcançado pela artilharia antiaérea, está em chamas. Balançando-se sobre a estrada, desce de novo e faz funcionar as suas metralhadoras. Já é uma fogueira quando cai, 2 Km adiante. Um segundo avião aparece. Logo outro e mais outro e outro mais ainda. Todos seguem a mesma rota trágica. Um após outro caem em macabra sucessão, na distância. Quatro, cinco, seis fogueiras assinalam o sacrifício de seus pilotos franceses. Na estrada, entretanto, a coluna retoma a sua marcha. Para onde vão? Para casa!: Dia 13 de maio de 1940. A brecha na frente francesa foi aberta. Era preciso fechá-la. Rapidamente. Inexoravelmente. os minutos são preciosos. O destino da França está em jogo. Os civis, que sabem disso, fogem. A catástrofe se aproxima. Os caminhos que levam à retaguarda se convertem, minuto a minuto, em rumorosa senda coberta de automóveis, carros puxados por cavalos, bicicletas, motos e homens e mulheres que caminham incansáveis. Alguns desses caminhos foram destinados ao trânsito militar e proibido aos civis. Mas, milhares de civis os invadiram. Os destacamentos militares que deviam impedi-los não estão ali. Desapareceram. E a torrente humana cresce e cresce. De repente, a surpresa. Não apenas civis fogem da frente. Entre eles, retirando-se, começam a aparecer soldados franceses. Um, dez, cem, os “poilus” se retiram em desordem. Todos os veículo servem para fugir ao massacre. Caminhões civis e militares passam carregados de fugitivos. E não falta a nota tragicômica: um carro fúnebre, puxado a cavalos, passa coberto de soldados. Alguns levam o seu fuzil. Outros, em sua maioria, desfizeram-se deles. - De onde vêm? Respondem levantando os ombros. Parecem não lembrar dos nomes dos pequenos lugares onde estavam acampados. - Para onde vão? A maior parte deles responde: - Para Reims. Outros, do fundo, gritam com voz desafiadora: - Para casa. De onde vem? - De Sedam: Ponte de Montgen, sobre o Mosa. A PM, procedendo por sua própria conta, estendeu um cordão que impede a passagem. Pistola na mão, seus homens detém os soldados que chegam e tentam passar. Discussões intermináveis es estabelecem, entre os que chegam e os que impedem a passagem - “Os tanques alemães vem atrás de nós”, “Fomos traídos”, “Nada há o que fazer aqui”, “Tudo está perdido”. Os homens da PM, no entanto, impedem a passagem e agrupam os soldados fugitivos. Amanhã tudo se arrumará. Logo, à distância, vê-se a silhueta dos grandes caminhões que se aproximam. Atrás deles, pequenos veículos puxam canhões de grande calibre. À frente, em vários automóveis, o EM e a oficialidade de um RI. Quando a formação chega à ponte de Montgen, a PM, que a custodia, abre passagem. E o regimento passa. Atrás deles, incontidos, centenas de soldados detidos, minutos antes. Mas, uma nova surpresa espera àqueles PMs. Ali, detidos ao longo do caminho, ficaram canhões do regimento. Distantes, aumentando a velocidade. vão seguindo os veículos. Alguns retardatários passam nesse momento. E a PM, pela primeira vez os interroga: - De onde vêm? - De Sedam. Ordens alemães nos Países Baixos: Amsterdã, 17 de maio - O comandante em chefe das forças de ocupação na Holanda fez uma proclamação, anunciando que ficou instituída a lei militar em todos os distritos ocupados. Proíbe-se à população ouvir rádios que não sejam alemães e todos os que possuem armas de fogo ou material de guerra, ou cometam atos de sabotagem, ficarão passíveis de pena de morte. As autoridades locais e municipais e os funcionários públicos permanecerão em seus postos, se forem |
Paul Reynaud perante a Câmara: No dia 16 de maio, às 15:30h, o Primeiro-Ministro Paul Reynaud dirigiu dramáticas palavras aos membros da Câmara. Nessa oportunidade disse: “É muito pouco o que posso lhes dizer... A Alemanha jogou tudo por tudo... Lançou-se sobre três povos livres e hoje golpeia a França no seu coração. A Bélgica de 1914 reencontrou-se. Novamente sua vida entrelaça-se intimamente com a nossa; nossos sofrimentos são os seus sofrimentos; nosso duelo é o seu duelo. Algum dia, nossa alegria será a sua alegria. A Holanda perdeu sua terra, mas voltou a encontrar-se, nestes dias, com as virtudes que a tornaram grande perante a História. No dia em que tudo pareça perdido, o mundo verá do que é capaz a França. Não são esperanças vagas. Tampouco palavras ocas. Nossos soldados lutam. O sangue francês é derramado... Os tempos que estão para vir não terão nada em comum com os que acabamos de viver. Estamos sendo chamados a tomar medidas que até ontem teriam parecido revolucionárias. Possivelmente, teremos que mudar tudo, os métodos e os homens. Todo desfalecimento terá seu castigo: a morte. Devemos criar alma nova. Temos esperanças e nossas vidas não contam. Uma só coisa conta: defender a França”. Léon Blun, dirá, referindo-se à mensagem de Reynaud: “Na Câmara dos Deputados, reunida durante 3 horas, o Presidente do Conselho, Paul Reynaud, pronunciou uma oração sóbria e ardente. Todos vibraram ante a impressão que causou a sessão. Pela primeira vez, desde o começo da guerra, a Assembléia ofereceu um espetáculo semelhante àquele de 3 de agosto de 1914. Uma onda de entusiasmo e abnegação patriótica respondeu ao chamado do perigo”. Com Dietrich von Choltitz em vôo sobre a Holanda: “Chegamos reunidos, sem que nos falte um só avião. Sobre a fronteira holandesa nos recebe o fogo da artilharia antiaérea. Os próprios caças rodeiam em rápido vôo os nossos pesados Ju 52; em seguida alcançamos Roterdã, onde podemos reconhecer o aeródromo. As máquinas perdem altura e com velocidade cada vez maior vamos ao encontro do solo. A rápida descida nos faz subir sangue à cabeça. Todos os olhares se dirigem para o aeródromo. Os bombardeiros fizeram o seu trabalho em forma completa. Os hangares ardem com altas labaredas; de vez em quando produzem-se explosões e contra o céu destacam-se pára-quedistas em descida. O lugar estará livre de inimigos? Agora colhemos os frutos do nosso intenso trabalho. Acontece tudo qual havíamos previsto. O ruído do combate é intenso. Os motores roncam, nos hangares explode munição, projéteis de morteiro pesado atingem o alvo, metralhadoras matraqueiam, feixes de balas fazem alvo nos aviões, alguns feridos gemem, pilotos atingidos se inclinam, algumas máquinas ardem e em outras vêm-se as asas destruídas pela artilharia antiaérea. Passamos ao ataque. Nada de indecisões; fora das máquinas! Atacamos tal como aprendemos, seguros pelos atiradores de popa dos aviões, enquanto os pára-quedistas, que desceram fora de posição atacam de fora. Portanto, não é estranho que, ante o bombardeio prévio e o ataque imediato dos soldados que saem dos aviões incendiado, dos quais os atiradores de popa continuam atirando e atirando, apesar de tudo, o inimigo não possa resistir. Ao chegar, um oficial de aviação ferido me informa que encontrou proteção numa cratera das bombas e presenciou o avanço da cadeia de reconhecimento e que o moral de combate de nossos homens é excelente. É um informe que enche de orgulho a um chefe. O primeiro objetivo foi alcançado. Entretanto, continua o agrupamento adiantado Schwiebert, sem se deter, em direção a Roterdã e suas pontes”. Os 78 do Tenente Witzig: Bélgica. Fronteira do noroeste. O Canal Alberto se levanta como barreira intransponível ante as forças alemães. Em suas proximidades, vários fortes constituem os bastiões que podem qualificar-se como inexpugnáveis. Entre eles destaca-se um, talvez o mais poderoso: Eben Emael. Construído na margem escarpada do canal, é um mole maciço de cimento que cobre 50 hectares. A guarnição normal do forte, 1.200 homens, dispõe para a sua defesa de 42 canhões e inúmeras metralhadoras. Depósitos subterrâneos de munições, combustível e víveres asseguram uma longa resistência ao assédio. Armas não convencionais, como lança- chamas, tornam praticamente suicida qualquer intento de se aproximar das torres do forte. Eben Emael é um obstáculo intransponível: 10 de maio de 1940, 4:30 da manhã. Aeródromo de Colônia. Vários Ju-52, rebocando planadores levantam vôo. Seu destino: Eben Emael. Poucos Kms antes do alvo, os reboques soltam-nos e os planadores ficam livres. Em terra, tudo é silêncio. As sentinelas belgas, em seus postos, observam as trevas, querendo descobrir o inimigo. Mas ninguém olha para o alto. E é por ali que chega o ataque. Os grandes planadores em total silêncio, pousam a poucas dezenas de metros das casamatas. Sem ruído, nem ordens audíveis, as portas dos aparelhos se abrem. São 78 homens em silêncio, que saltam para a terra e somem nas sombras. Seus uniformes, camuflados, confundem-nos com a vegetação circundante. Os saltos de aço, pintados de preto, estão cobertos de tela acochada, para evitar os ruídos se se chocam. Em suas mãos, os 78 homens trazem metralhadoras. Granadas de mãos penduram-se em seus cinturões. Na bota direita, cada um deles leva um fino punhal de combate. À frente dos combatentes, vai o tenente Rudolf Witzig. Sua missão: tomar o Eben Emael. Os homens, sem um ruído, reúnem-se em pequenos grupos e rapidamente se afastam, em diferentes direções. Conhecem a fundo sua missão. Também, o terreno que pisam. É a primeira vez que estão ali, mas um modelo semelhante foi construído, para praticar na Alemanha. Nele, estava reproduzido, minuciosamente, até o menor acidente do terreno. Funcionava muito bem o serviço secreto alemão |
Diante dos grupos de assalto, levantam-se as cúpulas das casamatas de combate. Parecem inexpugnáveis, mas, não o são para os homens audazes. Os pelotões se empoleiram sobre o teto das casamatas. Os alarmes funcionam e uma grande agitação se percebe no interior do forte. Mas, já é tarde. As granadas começam a cair pelas torres. Os tubos dos lança-chamas são introduzidos nos respiradouros. As bocas das metralhadoras vomitam fogo através das aberturas. No interior do forte espalha-se a desordem. Os belgas estão preparados para resistir a um assalto direto, mas, não para fazer frente àquela chuva de fogo que chega sem que se saiba de onde. No dia seguinte tudo está acabado. As portas de aço se abrem e uma multidão de soldados belgas sai com os braços para cima. Fora, apontando-lhes suas armas, os homens de Witzig os esperam. Eben Emael caiu. Uma vez mais, o cálculo e a audácia superaram a força. “Vencer ou morrer” Ordem do dia do general Gamelin de 17 de maio. No dia 17 de maio de 1940, no momento em que o general Guderian se dispõe a reiniciar o avanço para a costa do Canal da Mancha, o general Gamelin, comandante supremo das forças Aliadas, deu a conhecer uma dramática ordem do dia, na qual condenava a situação: - “As unidades que não possam avançar deverão aceitar a morte, em lugar de ceder terreno. A sorte do País, o destino dos Aliados e do mundo depende da batalha que se trava neste momento. Os soldados ingleses, belgas, poloneses e voluntários estrangeiros lutam de nosso lado. A aviação britânica está lutando conosco, até o máximo. As unidades que não possam avançar devem aceitar a morte antes de ceder parte do terreno que lhes foi confiado. Como sempre, nas horas críticas da história, a ordem hoje é “Conquistar ou Morrer”. Nós devemos vencer”. Forças frente à frente Alemanha Divisões blindadas - 10 Divisões motorizadas - 7 Divisões de infantaria - 117 Tanques Mark I - 523 Tanques Mark II - 955 Tanques Mark III - 349 Tanques Mark IV - 278 Tanques ligeiros M - 106 Tanques pesados M - 228 Caminhões armados - 135 Aviões de bombardeio - 1368 Aviões de caça - 1016 Stukas - 342 Aviões de transporte - 401 Aviões de reconhecimento - 501 Aliados Divisões blindadas - 11 Médios - 410 Pesados - 325 Tanques (Inglaterra) Ligeiros - 2300 Divisões motorizadas - 7 Divisões de infantaria - 119 Tanques (França) Mark I - 77 Mark II - 23 Ligeiros - 7 Aviões: Países Baixos - 60 Bélgica - 180 França - 1300 Inglaterra - 1350 Combatentes (homens) Alemanha - 3.300.000 (Incluindo os que estavam na Noruega, Dinamarca e Polônia) Países Baixos - 350.000 Bélgica - 700.000 Inglaterra - 350.000 França - 2.680.000 |
Abril de 1939. Chancelaria do Reich. O Fuhrer, com voz enérgica acaba de ler um documento transcendental para a História: Trata-se de um projeto secreto: o plano “Branco”. Trata-se, na realidade, do começo da Segunda Guerra. Abril de 1939. Berlim. Comando Supremo Da Wehrmacht. A campainha de um telefone toca insistentemente, num escritório sobriamente mobiliado. Um alto oficial levanta o fone e murmura umas palavras: - Coronel Weiss, Divisão Convocatória. Escuta em silêncio a seu interlocutor, balançando levemente a cabeça. Depois diz: - Entendido, meu general. Farei o imediato envio das comunicações. Ele será o primeiro. Instantes depois, um motociclista guia uma máquina, com a cor verde escura da Wehrmacht, e parte velozmente. Na pasta, leva uma ordem de mobilização. Uma só. Talvez a mais importante. No envelope lê-se: Carlos Rodolfo Gerd von Rundstedt. A história de von Rundstedt é, paralelamente, a história do Exército alemão que se lança à Segunda Guerra. Quando, baseado no Tratado de Versalhes, o Exército alemão foi obrigado a reduzir-se em número de homens e limitar-se nos armamentos, a principal preocupação do Alto Comando alemão foi, em síntese, manter um status que permitisse continuar considerando as escassas forças armadas como um verdadeiro exército. O general Seeckt foi encarregado de fazer do Exército alemão uma máquina inofensiva para as potências vencedoras. Von Rundstedt foi um dos primeiros escolhidos por Seeckt. Sua formação militar fazia dele um homem chave para a difícil missão a cumprir-se. E Seeckt não se arrependeu nunca daquela escolha. Sob os signo das armas: Archersleben. Saxônia Prussiana. Dezembro de 1875. No lar dos Rundstedt, nasceu um menino. Seu pai, militar de carreira, brinca com seus camaradas de armas e escuta com prazer as brincadeiras que lhe dirigem. Alguém, levantando a taça de champanhe, oferece um brinde ao futuro general Rundstedt. Pelo pequeno “general Rundstedt” que tem só algumas horas de vida. 1887. O jovem cadete Rundstedt acaba de fazer 12 anos. Faltam ainda mais de 50 para que as tropas sob suas ordens avancem através da Bélgica, para a França. Entre sua atuação como oficial de infantaria em 1893 e a Primeira Guerra, em 1914, von Rundstedt comanda uma companhia, estuda na Academia Militar e é destinado ao Estado Maior Central. Após o inicio da grande luta, incorpora-se ao Estado Maior das Forças de von Kluck e intervém ativamente nas grandes operações militares. Até 1927, alcança o grau do comandante-general. Tem, então, 52 anos. A reorganização do Exército alemão dispõe a divisão daquela força em três grandes grupos. Um deles, logicamente, fica sob as ordens de von Rundstedt. Chegou o ano de 1935 e já a Alemanha vibra, ante o som dos clarins e tambores e o drapejar de bandeiras que ostentam grandes cruzes gamadas negras. 1939. Abril. Hitler expões diante de seus comandantes supremos o plano destinado a obter a supremacia da Alemanha. A guerra está já muito próxima. Na realidade já começou. E ali estão os veteranos. Carlos von Rundstedt volta ao serviço ativo, abandonando um retiro que odeia e, novamente, torna a ser o impecável estrategista, o supremo organizador, o astuto comandante capaz de mobilizar massas humanas para uma conquista. O guerreiro voltou à luta. |
terça-feira, 8 de agosto de 2023
Segunda Guerra Mundial - 1940 Campanha da França, Invasão da Holanda e Bélgica Ruptura no Mosa
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